.Opinião

01/07/2004 · 09:32
Empresas valorizam o desenvolvimento de atitudes, posturas e habilidades
Universidade corporativa é um guarda-chuva estratégico para o desenvolvimento e educação de funcionários
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Texto: Gustavo de Ávila Martins e Lia Weber Mendes


Num cenário de alta competitividade, a busca por fatores de diferenciação torna-se mandatória. Comunidades, organizações e instituições enfrentam o desafio de definirem suas competências, identificarem oportunidades e estruturarem estratégias que lhes permitam competir num mercado sem fronteiras. A inovação e a agregação de valor a produtos e serviços é um diferencial significativo que exige a potencialização de todo o conhecimento gerado na organização, sendo que esse conhecimento se encontra nos recursos humanos.

O fato de cada vez mais se exigir das pessoas uma postura voltada para o autodesenvolvimento e a aprendizagem contínua é o que tem levado as organizações a se comprometerem com a educação de seus funcionários, implantando sistemas educacionais que, em vez de privilegiar o conhecimento técnico e instrumental, valorizam o desenvolvimento de atitudes, posturas e habilidades. Esses sistemas educacionais oportunizam a educação continuada dos recursos humanos e as empresas criam, assim, uma vantagem competitiva sustentável.

Nesse contexto, o desafio das organizações é criar estruturas que proporcionem a incorporação de novas experiências e informações, gerando inovações e melhorias em processos, produtos e serviços. Surge, assim, a idéia da Universidade Corporativa, como ferramenta eficaz de alinhamento e desenvolvimento dos talentos humanos com as estratégias organizacionais.

Porém, a operacionalização desse conceito é extremamente complexa e é a partir dessa realidade que as áreas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) vêm evoluindo para uma abordagem na linha de educação corporativa, onde a grande tendência do momento é a criação de universidades corporativas. Aqui, torna-se fundamental esclarecer que universidade corporativa, segundo a autora norte-americana Jeanne Meister, uma autoridade do tema, é um guarda-chuva estratégico para desenvolvimento e educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais, além de um laboratório de aprendizagem para a organização e um pólo de educação permanente.

Salientamos que, na expressão universidade corporativa, o uso do termo \"corporativo\" significa que a universidade é vinculada a uma corporação e que serviços educacionais não constituem seu principal objetivo. Já o termo \"universidade\" não deve ser entendido dentro do contexto de ensino superior, o qual designa a educação de estudantes e o desenvolvimento de pesquisa em várias áreas do conhecimento. Na universidade corporativa, a educação, os programas de capacitação, o desenvolvimento de competências e as pesquisas sempre estarão relacionados à área do negócio da organização e, fundamentalmente, ao seu posicionamento estratégico.

A criação de uma universidade corporativa, como disse Jeanne Meister no livro Educação corporativa, reflete a preocupação das organizações em \"criar uma cultura de aprendizagem contínua, em que funcionários aprendem uns como os outros, compartilham inovações e melhores práticas, com o objetivo de solucionar problemas organizacionais reais\". O modelo pedagógico das universidades corporativas tem como referencial as abordagens contemporâneas de desenvolvimento de competências e de aprendizagem organizacional. De acordo com Roberto Lima Ruas, pós-doutor em Administração e professor da Ufrgs, a expressão competências tem sido marcada por diferentes conceitos, dimensões e categorias.

Sua dimensão mais abrangente é a noção de competências essenciais, que estão ligadas à organização como um todo. Essa dimensão foi conceituada por Gary Hamel e C. K. Prahalad, autores do livro Competindo pelo futuro. Os autores enfatizam que ela expressa uma dimensão organizacional de competências.

Em seguida, destaca-se a dimensão das competências funcionais, que são competências necessárias ao desempenho das diversas áreas da organização. Trata-se de competências desenvolvidas e apropriadas por grupos, áreas ou setores da organização.

Destacam-se, ainda, as competências individuais, que se referem ao conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que cada indivíduo da organização deve possuir para desempenhar suas funções de forma eficiente e com qualidade.

Com relação à abordagem da aprendizagem organizacional, a inovação conceitual é que o aprendizado passa a ser planejado e administrado para que ocorra de maneira rápida, sistemática e alinhada aos objetivos estratégicos da empresa.

A partir do exposto, conclui-se que a implantação de uma universidade corporativa pode ser uma estratégia de desenvolvimento de competências e de aprendizagem organizacional de empresas e instituições em geral, segmentos/clusters específicos, grupos de empresas e associações de classe.


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