.Opinião

01/07/2008 · 10:15
Laboratório do Pensamento
Carlos Brito, aluno do Direito, fala sobre a sociedade atual
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Texto: Carlos Brito


Está cada vez mais difícil imaginar um futuro muito diferente do presente, com um quadro estável e promissor, sendo que uma parte da sociedade não presta o mínimo esforço para ser menos egoísta.
A condição humana está abalada e frustrada com tanta maldade acumulada numa só raça. Creio que estamos cada vez mais amarrados a esse laboratório que desumaniza pessoas. O interessante é que temos as chaves para escapar desse ambiente que aliena o bem e mantém o que deve ser evitado; no entanto, continuamos submetendo nossas mentes a esse hospício que está sintonizado com o mau.
A mente humana estava evoluindo naturalmente até o advento da TV e, posteriormente, a internet. Mas, devido a certos programas que são íntimos da imoralidade, houve uma reação extrema que levou a evolução social da humanidade para a direção oposta do auto-conhecimento, auto-controle e desenvolvimento racional do Ser.

Devido a programação desse laboratório, onde as pessoas escolhem suas próprias prisões, pois não conseguem ver as correntes que lhes prendem, é preciso pôr na mesa a triste constatação de que parte da sociedade jovem adotou postura inativa, não estuda, não trabalha, não luta, não questiona, não se organiza; ou seja, vegetam socialmente. Muitos deles não pensam mais, porque o aparelho lhes dá tudo pronto, a pergunta, a dúvida e a resposta. Infelizmente não cultivam mais valores como liberdade e igualdade – talvez por isso nos deparamos com as piores injustiças -, posto que lhes é alcançado tudo, inclusive, o modelo de pensamento.

Certos programas ou tendências ofertados por esse laboratório da informação parecem não ter influência negativa na vida de cada um, o que é um grande equívoco. Nos contentamos com essa cegueira, mesmo estando o colírio para os olhos ao alcance de nossas mãos. A razão não mais governa o comportamento humano. Mesmo com a explosão da informação, a humanidade ainda permanece imatura, não conseguindo observar objetivamente suas fraquezas, razão pela qual vivenciamos barbarismos gratuitos por esses indivíduos “informados”. O processo é absolutamente automático, muitas crianças são educadas pelo computador ou pela TV, em substituição aos pais. Então, o aparelho seduz esses indivíduos carentes de educação para torná-los aptos a acatar qualquer decisão, pacificamente, seja ela qual for.

Nesse laboratório criam-se pessoas incapazes de conhecerem a si mesmos, de entenderem o mundo a sua volta e compreenderem o seu próximo. Parece uma visão amarga da vida. Mas significa dizer que, em uma comunidade afetada pela “informação programada”, se você discordar das opiniões prontas, corre o risco de ser considerado um inimigo ou um sujeito louco.

As pessoas, em grupo, tendem a se comportar de maneira previsível e limitada. E essas são as mais fáceis de serem controladas. O inovador é o primeiro a colocar as mãos na chave da liberdade e, conseqüentemente, a livrar-se da lavagem cerebral. Pensar, crescer e desenvolver-se autonomamente é doloroso, mas, do contrário, esconder-se atrás de ilusões ou sombras, é permanecer no perigoso comodismo e numa perpétua imaturidade humana.
Quando no futuro olharmos para trás, o que veremos no caminho pelo qual pisamos? Como seremos vistos pelas pessoas que virão depois de nós? A resposta dependerá do que é nossa consciência e o que o laboratório do pensamento fez com nossas mentes.


Comentários

Magda Steffens | 27/07/2008 | 21:34
É muito bom ver no jornal de Uni o pensamento de pessoas que não estão imersas na cegueira social que vivemos hoje. Cada um só quer saber de si, assiste com indiferença as desgraças alheias e esquece que ninguém é feliz sozinho. Precisamos dos outros, precisamos ajudar uns aos outros. Queremos que o mundo nos dê tudo sem termos que dar nada, e a sociedade age como se essa fosse a coisa mais certa do mundo.
Erilei | 26/03/2009 | 15:33
É apropriada e lúcida essa observação referente à informação programada. O tema é relevante, principalmente em época de eleições.

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