Professora Vera Bemvenuti
Mestre em Educação, coordenadora de Ação Comunitária da Unisinos
A modernidade instigou a universidade para a saída de si própria. Na compreensão de Morin, o conhecimento hoje é diversificado e múltiplo porque comporta diversidade e multiplicidade.
...\"É um fenômeno multidimensional de maneira inseparável, simultaneamente físico, biológico, cerebral, social.\"(Morin, 1999)
Essa perspectiva complexa é acolhida pelas ações de extensão que a Unisinos desenvolve com as comunidades e grupos humanos, organizados ou não, por meio dos professores e alunos que com elas se relacionam, construindo e desconstruindo saberes.
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Nesse duplo movimento de distinção e de identificação, a construção subjetiva dos cidadãos acontece rica das muitas possibilidades em aberto, desde suas próprias identidades até a construção solidária co-responsável pelas condições de vida que juntos são capazes de produzir e organizar. É um exercício individual de pertencer a uma pluralidade de grupos ede idéias presentes hoje nesse desafio imposto ao conhecimento e, como conseqüência, à universidade. Instaura-se uma prática de interação com a sociedade, baseada em um processo participativo de planejamento, educação e avaliação de atividades desenvolvidas, inspirada na reflexão coletiva sobre a realidade e no incentivo à organização social.
Novos espaços emergem nesse processo relacional, destacando-se o comunitário - do poder local, dos grupos de base, da instalação de conselhos setoriais, das associações de pais, mulheres, idosos, crianças adolescentes, jovens, moradores do bairro etc, como espaço de grande potencial político e social. A emergência da participação popular toma força, como resultado da construção de uma identidade social e política que retorna ao movimento de reação contra a injustiça social e pela cidadania.
É nesse sentido que a ação extensionista tem se apresentado, a partir da descoberta do potencial do fazer cotidiano e da emergência de uma ação direta nos vários níveis sociais, políticos, culturais e econômicos da sociedade. Trata-se de assumir uma postura solidária como cidadãos, cientistas, professores, profissionais, alunos universitários que foram privilegiados pelo acesso ao conhecimento e ao poder político. É entender que os diversos saberes e as políticas públicas não têm donos e devem ser utilizados para a melhoria da qualidade de vida humana.
Mais do que dispor-se a aceitar ou tolerar, ajudar as pessoas a serem como são, ou como desejariam ser, pode ser a forma solidária mais apurada de ser na construção de um mundo para todos, diversificado e democrático formulado por valores éticos consensualmente construídos nos pressupostos comunicativos em que todos os possivelmente envolvidos possam participar e tomar posição com argumentos fundamentados na justiça e na transparência dos mesmos.
Uma sociedade é solidária se for cooperativamente construída. Mais importante que as decisões tomadas é a maneira como se chega a elas. Essa dimensão de solidariedade nos remete à convivência necessária aos problemas ou temas nos quais muitas questões se convertem.
O Solidário Ser, lugar de desenvolvimentosocial, pretende converter-se nos dias 8 e 9 de outubro, num palco especial por onde passarão temáticas plurais, bem como múltiplas formas de abordá-las, tematizadas em oficinas, workshops, mini-cursos ou ainda em dramatizações, danças, cantos ou , simplesmente, sinalizações e apontamentos das questões mais sérias da vida cotidiana das comunidades e dos sujeitos que as compõem: saúde, educação, moradia, organização social, direitos humanos, trabalho, respeito humano, acesso à tecnologia, violência, segurança, clareza política, ética, cidadania. Constitui-se numa ação alinhada com o ideário do movimento Unicidade. A Unisinos conclama parceiros de idéias e de intenções para tecerem juntos uma trama solidária capaz de dar vida e ânimo às mais rígidas formas de organização.