.Opinião

12/02/2008 · 13:56
O Brasil e a arte de explorar
Em artigo, Carlos Brito, estudante de Direito da Unisinos, relaciona a escravidão aos dias de hoje
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Texto: Carlos Brito


No Brasil, a exploração começou na primeira parte do século XV com a chegada dos portugueses ao litoral brasileiro. Os primeiros a pagarem o preço da descomedida ambição do homem foram os índios que aqui já viviam. Em movimento, a roda da exploração humana, nas primeiras décadas do século XVI, deu inicio à escravidão de negros no Brasil.

Os comerciantes portugueses vendiam os negros africanos como se fossem objetos. Nas fazendas, os negros eram tratados de plena forma desumana. Trabalhavam muito, tinham uma alimentação de péssima qualidade e passavam a noite acorrentados em porões úmidos, sujos e escuros (as senzalas). Eram constantemente açoitados com instrumentos de tortura, como palmatória, chicote, tronco, etc. Muitas vezes tinham seus dedos e orelhas cortados, furavam seus olhos e quebravam seus dentes. Muitos senhores marcavam seus escravos com ferro em brasa.

O homem faz a história todos os dias. E todos nós participamos de sua construção. É deplorável que os livros estejam submetidos a narrar uma história imunda, cruel, de enojar qualquer um que tenha consciência. É isso que temos para contar aos nossos filhos e netos, exploração, humilhação e barbárie. A crueldade da escravidão evidencia a decadência moral e cultural da sociedade. Ora, pois, à época políticos defendiam que sem escravos seria inviável o cultivo de açúcar no Brasil-Colônia, comprometendo assim, o desenvolvimento econômico.

Um verdadeiro absurdo! O pensamento cultivado no período, ora incitado pelos escravocratas, expulsava qualquer alusão aos valores éticos e morais; ou seja, seus ideais eram completamente afastados do senso de humanidade, posto que os fazendeiros - grande parte ocupava a cadeira política - protestavam, referendando que \"a escravidão era coisa natural\", integrada aos costumes e \"necessária para o desenvolvimento da sociedade\". Idéia essa defendida pela Igreja, que escandalosamente era conivente com o comércio de seres humanos.

Lamentavelmente sempre foi assim, e, mesmo nos dias de hoje, em nome do \"desenvolvimento social e econômico\" a arte de explorar perpetua e segue fazendo sua história. Assim como a escravidão era vista como instituição legítima e necessária, amparada por lei inclusive, criam-se cada vez mais impostos, justificados e tidos como necessários para manter os rasos programas sociais. Importando sempre no interesse econômico, como sempre prevaleceu na história.

Afinal, somos todos escravos deste sistema perverso onde o povo não decide nada, tão pouco tem sua vontade respeitada por aqueles que acolá o representa. Cada sistema de governo deixa sua mensagem ideológica na história, ressaltando a extravagância da política moderna, e, em última análise, mesmo com o óbice das sessões secretas, ecoa nas decisões políticas que o povo só serve para votar e pagar impostos.


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