A quem interessa a derrubada da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista? Sinceramente, não sei. Como pode alguém estar contra a constante qualificação de quem milita em uma atividade tão importante à sociedade como essa? Sou a favor da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, da advocacia, da engenharia, da medicina...
Quero os melhores projetando pontes, operando minha barriga ou decidindo se fulano deve ou não ser condenado a 30 anos de prisão. Que todos tenham formação específica. Cada qual cuidando do seu quadrado.
Advocacia quem faz é advogado; medicina, médico; engenharia, engenheiro; e jornalismo, jornalista. Não tem meia-boca, meia-sola. Ou você quer essas e outras tantas profissões tradicionais desregulamentadas e sendo exercidas por curiosos, que possuem múltiplas habilidades?
Há muito acompanho ameaças de desqualificação da atividade jornalística que rondam as redações, especialmente quando interesses de grandes instituições ou pessoas importantes são contrariados.
A mais recente investida é o Recurso Extraordinário (RE) 511961, que está na mesa do Supremo Tribunal Federal (STF) e deve entrar em pauta ainda neste semestre. Se aprovado, tal recurso desregulamentará a profissão de jornalista. Eliminará, de vez, a exigência do diploma de Jornalismo. Qualquer pessoa “alfabetizada” poderá atuar na área.
Ouço que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de expressão e de imprensa. Bobagem. Quem quer dizer algo, dirá. Meios para isso não lhes faltam. A internet está aí para ajudá-los a exercitar a cidadania. Abriga tudo e a todos. O que o jornalismo de qualidade quer vai além disso. Assegura, em seu campo de atuação, a diversidade de pensamento e opinião da sociedade.
Ir a favor da desregulamentação, insisto, é aceitar um cenário obscuro, sem o acesso democrático à profissão. É abrir mão de uma atividade voltada efetivamente a atender ao interesse público. Lembremos de todos os escândalos que assolaram, por exemplo, a política nacional nos últimos três anos. Imaginem se não houvesse um jornalismo competente, interessado e desconectado da correia governamental?