.Opinião

20/01/2009 · 05:11
O desejo de mudar
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unisinos, o norte-americano Karl Monsma analisa a posse de Barack Obama
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Texto: Karl Monsma


Primeiro, é importante reparar a grandiosidade da cerimônia de posse e dos vários eventos celebrativos que a precederam. Esta inauguração presidencial provavelmente é o maior ajuntamento de gente já visto em Washington. Certamente existe grande entusiasmo popular pelo Obama, sobretudo entre a população negra, mas desde a viagem de trem de Filadélfia a Washington que Obama fez no fim de semana – o mesmo trajeto que o presidente Abraham Lincoln fez antes de sua posse –, os eventos da posse foram cuidadosamente calculados para maximizar seu impacto na mídia, para enfatizar o enorme apoio popular que Obama goza no momento, e sobretudo para pressionar o Congresso dos EUA, porque o presidente Obama quer fazer várias mudanças dramáticas na política interna e externa do país, e seguramente enfrentará a oposição dos conservadores, que atualmente estão acuados. Ele quer aproveitar este momento para implantar o máximo possível de seus programas de governo, antes que a oposição se reorganize para bloquear as mudanças.

O discurso da posse foi bem claro, com críticas pouco veladas à presidência de Bush. Obama salientou várias das mudanças que quer implantar. Na política externa, o fim do uso da tortura pelos EUA na “Guerra contra o terror”, apoio para os direitos humanos, colaboração com outros países para reverter o aquecimento global e o fim do que ele chama “a indiferença [dos EUA] ao sofrimento humano” no resto do mundo. Internamente, quer garantir, pela primeira vez, o acesso de todos os cidadãos ao sistema de saúde, implantar um grande programa de pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas de energia, e iniciar um enorme programa de obras públicas para estimular a economia e consertar a infra-estrutura do país.

Obama sabe bem que a crise cria oportunidades para a mudança, mas também conta com a mobilização popular e com a retórica de unidade nacional, patriotismo, pragmatismo, escolhas difíceis e sacrifício para o bem comum, para tachar de egoístas, partidários e ideológicos aqueles que se opõem a seus projetos de mudança. Esta retórica foi evidente no discurso da posse. Ele também enfatizou que os valores de liberdade, oportunidades iguais e uma vida digna para todos são valores históricos dos EUA, assim ligando seus projetos à constituição e os “pais fundadores” do país, até citando George Washington, general da Revolução de Independência dos EUA. Nos próximos meses veremos até que ponto ele consegue manter sua força atual e implantar seus projetos ambiciosos.

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