.Opinião

22/11/2007 · 10:51
Decomposição da ética
Carlos Brito, aluno do Direito, fala sobre o jejum de moral da sociedade
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Texto: Carlos Brito


Certas palavras eruditas, como ética e moral, há muito estão confinadas aos dicionários e discursos políticos. A palavra ética, originada do grego ethos, pode ser definida como ciência da moral que se refere à \"maneira de ser\" ou à \"sabedoria da ação\", a qual evoca Aristóteles, bem como é parte da filosofia inerente ao caráter e que estabelece a existência de uma prática com a representação do Bem.

Pois bem, nossa sociedade vem fazendo jejum da moral, participando de um jogo que decompõe a ética e fere a moral concomitantemente. Diante da situação social, nos organizamos, questionamos e debatemos, mas se modifica muito pouco a opinião geral. O fenômeno da corrupção tendeu-nos a sermos antifilosóficos, fluindo de forma muito preocupante o egoísmo sobre as relações sociais.

Nossas atitudes estão apoiadas na indiferença, queremos que as leis sejam cumpridas, no entanto a enfraquecemos, continuamos a passar o sinal fechado, estacionamos na calçada, jogamos lixo nas ruas, desrespeitamos o espaço dos idosos nos transportes coletivos, queremos levar vantagem em tudo e a criminalidade está banalizada. Algumas pessoas dizem que chegamos ao fundo do poço. Que ilusão! O fundo do poço está bem acima de nós.

Nos tornamos seres insensíveis com a dor do próximo. Espancamentos, assassinatos, fome, dentre outras barbáries não nos comovem mais. Apenas sentimos angústia ou indignação quando um familiar é vitimado. Muitas pessoas de nossa sociedade conhecem a palavra ética, mas não entendem o seu real valor e, portanto, não a exercem.

Somos agressores da dignidade, mentimos, desviamos, sonegamos, omitimos e, por fim, queremos Justiça, exigindo que nossos direitos sejam respeitados. Mas, continuamos a furar filas, a ser desleal com os colegas, subtraímos o próximo, ignoramos os direitos dos outros e seguimos fazendo solidariedade por interesse.

O imperativo soa: ou a humanidade muda seus hábitos ou continuará refém do seu próprio mau. A irresponsabilidade deflagrada na sociedade atual revela o caráter ético das pessoas. A aterradora crise ética e moral é uma constatação indiscutível. As crises afetam todas as razões, as pessoas continuam anestesiadas e imersas numa nuvem de interesses, contudo a sociedade está condenada ao abismo em decorrência da falta de consciência.

Urge ressaltar que de tempo há uma ruptura dos valores morais do ser humano. Ele exacerbou sua auto-afirmação em detrimento com o bem da coletividade. Adotou postura de arrogância, iniciando o auto-exílio e gerando inúmeras tragédias. As conseqüências são resumidas a guerras, doenças, catástrofes naturais, comprometimento do Planeta, perversão da entidade familiar e absoluta promiscuidade do próprio sistema.

É tempo de pararmos para refletir, refletir profundamente, todos tem o dever de sensibilizarem-se com os problemas da humanidade e refazer o caminho de volta.


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