A imigração alemã e as raízes remotas daUniversidade do Vale do Rio dos Sinos se confundem. Na década de 1860, a imigração alemã contava com mais de30 anos de história no Rio Grande do Sul. As comunidades formadas pelos imigrantes consolidavam-se rapidamente. Não poucas exibiam um visível progresso, sinalizando para uma relativa prosperidade, tanto no setor agrícola como do comércio.
Os imigrantes alemães e seus descendentes de primeira geração prosperavam, porém, à margem da real hegemoniaeconômica e do poder político, concentrados nas mãos dos estancieiros e empreendedores luso-brasileiros. O momento obrigava a pensar seriamente em construir pontes capazes de superar as barreiras étnicas entre os imigrantes alemães e os lusos e açorianos, além de oferecer aos alemães viasde acesso ao grande comércio, à participação na vida cultural, ao ingresso na burocracia oficial, à vida clerical, ao exercício do magistério, às carreiras oficiais da magistratura, do funcionalismo público e, principalmente, a uma participação efetiva nas decisões políticas.
Nesse cenário surge a figura do P. Feldhaus, recém-chegado da Alemanha. Sem tardar compreendeu a situação e, sob sua liderança, fundou-se, em 1869, o Colégio Nossa Senhora da Conceição em São Leopoldo. Inicialmente pensado como instituição para formar o clero nativo e os professores para atender às escolas comunitárias, a partir de candidatos oriundos do meio colonial alemão, não tardou para franquear o acesso aos filhos de luso-brasileiros e açorianos. Paralelamente uma segunda medida foi decisiva. Em poucos anos a instituição conquistou tamanho prestígio que, em 1890, obteve a equiparação ao Ginásio Nacional D. Pedro II e, com isso, seus egressos estavam habilitados a freqüentar faculdades. Durante os 40 anos do seu funcionamento (1869-1912), passaram pelas suas salas de aula dezenas de personalidades que marcaram época no âmbito do comércio e da economia em geral, na docência em todos os níveis, nas profissões liberais, nos quadros das forças armadas, na administração pública, na política e diplomacia, inclusive a nível internacional.
Por lhe ter sido tirado a condição de \"equiparado\" ao D. Pedro II, pela Lei Rivadavia, o Conceição encerrou, em 1912, suas atividades em São Leopoldo. Um ano depois, 1913, o arcebispo D. João Becker, ex-aluno do Conceição, confiou aos jesuítas alemães a formação do clero da arquidiocese. Não tardou para que candidatos ao sacerdócio de todo o país e várias ordens religiosas, inclusive os jesuítas, buscassem sua formação no agora Seminário Nossa Senhora da Conceição, nas faculdades de Filosofia e Teologia. O nível dessas faculdades não ficava devendo nadaàs instituições similares da Europa. Centenas de sacerdotes diocesanos e regulares e dezenas de bispos, um deles cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro, tiveram nelas a sua formação filosófica e teológica. Embora não oficialmente reconhecidas, as Faculdades de Filosofia e Teologia foram os primeiros cursos superiores que os jesuítas alemães implantaram no Sul do Brasil e, por isso, pede a justiça que sejam vistas como ponto de partida a partir da qual seria concretizado o projeto da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Bastou obter, em 1953, o reconhecimento oficial da Faculdade de Filosofia por parte do Ministério da Educação, para dispor-se da base legal oficial, conferindo legitimidade ao ensino superior, cujas raízes devem ser procuradas em 1869,135 anos passados, no contexto da região colonial formada pelos imigrantes alemães e seus descendentes de primeira e segunda geração. Em cinco décadas, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos se transformou no pólo irradiador da cultura e da formação humanística e tecnológica mais importante na mais antiga região colonizada pelos imigrantes alemães.