.Opinião

24/02/2010 · 10:31
Exame de consciência, por que não?
Texto de autoria do pró-reitor acadêmico Pedro Gilberto Gomes foi publicado em Zero Hora na quarta-feira (24/2) e é a favor da Campanha da Fraternidade
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Texto: Padre Pedro Gilberto Gomes - Pró-reitor Acadêmico da Unisinos

Os textos da imprensa sobre a Campanha da Fraternidade 2010, da CNBB e do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, trazem, em sua maioria, a afirmação de que ela poderia ter saído do Fórum Social Mundial, de manifesto do MST, programa de um partido socialista ou congresso estudantil. Também dizem que as Igrejas, em geral, e a Católica, em particular, movem-se fora da realidade, numa utopia. Desse modo, não podem nem devem criticar a sociedade capitalista e globalizada.

Mas, afinal, uma das funções das Igrejas não é chamar atenção para distorções de nosso mundo? Isto é, ao se criticar as opções do modelo que valoriza o ter, o prazer e o poder, não se pretende simplesmente substituí-lo por outro, mas lançar luzes sobre as injustiças estabelecidas nas relações, quando o ser humano não é colocado no centro das preocupações e das ações das pessoas e das instituições. É missão das Igrejas não canonizar o modo como a sociedade se estrutura, mas lembrar valores perenes e fundamentais que não podem se subordinar aos ditames do capital, nem à impessoalidade do mercado. Toda e qualquer relação com o transcendente se expressa no modo como organizamos a sociedade. O amor acontece no aqui e no agora social.

O que se critica não é a necessidade de lucro, pois o imperativo de se alcançar um resultado operacional positivo é condição para a sobrevivência das organizações, mas que ele seja alcançado à custa do empobrecimento de muitos. O recurso à palavra de Jesus – “não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lucas 16,13) – não critica simplesmente o dinheiro, mas condena sua transformação em Deus da vida humana. Nesse sentido, não se pode servir a dois deuses.

Por outro lado, quando se diz que um documento que faz crítica social está relacionado com partidos socialistas, movimentos sociais radicais ou de esquerda, será que não estamos nos protegendo para não nos deixar tocar nem questionar por suas posições e críticas?

O que causa espécie é que os parcos escritos em defesa da Campanha da Fraternidade sejam de autoria de membros da hierarquia de suas Igrejas (este autor também). O desânimo surge ao ver que nenhum fiel tenha defendido o que é proposto a partir dos princípios milenares de sua fé. As Igrejas devem, diante de Deus, chamar seus fiéis à vivência da justiça, do amor e da fraternidade. Caso contrário, Deus pedirá delas contas sobre a conivência e omissão que tiveram na injustiça contra os pobres e os pequenos.



 


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