.Opinião

25/06/2009 · 13:53
Aspectos da família moderna
O que esperar de uma sociedade que tem famílias cuja base está totalmente corroída?
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Texto: Carlos Brito*


A chamada família contemporânea nasceu de profundas mudanças da dilatada lacuna entre a família clássica e a família moderna. Antes a família era matrimonializada e patriarcal, com predomínio do homem, chefe da família. Colocada estava a supremacia do homem na relação conjugal. Na antiga família, os laços de sangue eram mais importantes e o interesse econômico prevalecia sobre os vínculos do amor. Sendo que muitos casamentos sobreviviam ausentes de afeto, sua coesão era vinculada à propriedade e à estirpe.

Com as constantes transformações da sociedade, a família moderna adquiriu um novo paradigma, acolhido por sua nova identidade, cujos valores se modificaram. A realidade das famílias modernas esboçou uma revolução em sua organização, enfraqueceu o autoritarismo do pai ao tempo que a mãe deixou o fogão para concorrer com os homens no mercado de trabalho. Destarte, a sociedade transformou-se novamente, posto que a mulher com sua habilidade influenciou positivamente o mercado de trabalho, a política, a educação e o próprio homem. Porém, com essa metamorfose familiar, advieram crises de valores culturais e éticos. Em face da concepção inadequada de liberdade, a moral familiar entrou em choque com a moral universalizada – fabricada.

Assim sendo, apesar da salutar evolução da família, sendo ela hoje organizada democraticamente, onde todos ajudam e participam, a liberdade foi corrompida pela inadequada concepção que deram a ela, tanto que a falta de controle no educar resultou na pura e cruel violência familiar; ou seja, a própria família propicia a violência por desprezar seus valores enquanto ente familiar. São filhos e pais se matando, pais corrompendo os próprios filhos, desrespeito mútuo, filhos roubando os próprios pais, falta de confiança, diálogo e afeto. O que esperar de uma sociedade que tem famílias cuja base está totalmente corroída? Essa interrogação se apresenta mais forte quando vemos os pais, por sua total omissão, empurrarem seus filhos para os presídios e os institutos psiquiátricos.

A condição da família moderna causa apreensão, pois os pais que não souberam lidar com a liberdade hoje pagam muito caro por isso. Não basta religião, brinquedos e roupas caras ou o irresponsável e repetitivo “sim” – sem refletir nas conseqüências, apenas para se livrar do filho -, se o mais importante não existir dentro da relação entre pais e filhos, que é um vínculo verdadeiro e sadio; bem como, uma educação solidificada nos valores morais, pois, do contrário, continuaremos construindo presídios e clínicas e seguiremos lotando esses hospícios de orates.

Antigamente as relações familiares não tinham amor nem liberdade e as pessoas eram infelizes. Hoje, somos livres para amar, no entanto, construímos a infelicidade.

 

* Carlos Brito é aluno do curso de Direito


Comentários

Marlene Beatriz Born | 06/07/2009 | 09:44
A abordagem do texto é atual e objetiva, face as mudanças que vemos nas famílias de hoje em dia. Parabéns!
Adilson | 17/09/2009 | 19:52
A decadência dos valores é uma realidade presente em grande parte das famílias modernas. Em muitas falta afeto e união. Muito bom, continue assim.
amanda | 25/03/2011 | 10:07
gostei muito do texto , pois é muito realista

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