.Posse Reitoria e diretores 2010-2013

04/01/2010 · 16:36
Ele é trabalhador
Reitor Marcelo Fernandes de Aquino concede entrevista exclusiva para o JU Online
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Texto: Angela Rahde e Danielle Titton
Imagens: Renata Stoduto

"Eu acordo cedo, mas também vou cedo para cama. Então, a minha característica é ser trabalhador." Com palavras tímidas, e até certa modéstia, o reitor Marcelo Fernandes de Aquino se define como gestor. Na primeira segunda-feira de janeiro (4/1), ele confirma mais quatro anos de trabalho a frente da Unisinos, para a gestão 2010-2013. Em entrevista ao JU Online, ele destacou pontos positivos e negativos do primeiro quadriênio, falou sobre planejamento, orçamentação, renovação pedagógica e inovação tecnológica. Confira:



JU OnlineEstamos terminando um período de gestão e vamos para outro. Em sua opinião, quais foram os principais marcos do quadriênio que está se encerrando agora?

Reitor – Um primeiro ponto foi a gente recuperar a confiança, a auto-estima da comunidade acadêmica. A universidade, por força do quadro, junto ao complexo do Ensino Superior, fez uma série de ajustes. Alguns foram corretos, outros não foram felizes, mas o somatório foi uma espécie de ruptura no conhecimento tácito que sustenta qualquer instituição. Ao longo do quadriênio, houve esforço de refazer os fundamentos do conhecimento tácito, no qual se apoiam a auto-estima, a confiança.

Outro ponto foi preservar princípios de autoridade e, ao mesmo tempo, diminuir distâncias hierárquicas da instituição. O próprio princípio de matricialidade, que de alguma forma rege a organização, supõe uma notável capacidade de transversalidade nas relações de competência. Eu creio que isso está dando um sadio ônus que, por um lado, é a autoridade. Ela se legitima na competência acadêmica, na comunhão do traço identidário da universidade. E, por outro lado, há a busca de soluções. Ela pede um cruzamento de funções não hierarquizadas, mas isso estamos começando a fazer.

Também houve a construção de equipes. Em primeiro lugar, a equipe da alta administração: reitoria e diretores das Unidades Acadêmicas e de Apoio. Depois, a consolidação das equipes, gerências e núcleos. Acho que avançamos nisso também. Os regimentos estão avançando. Alguns já foram aprovados pelo Conselho Universitário. Hoje em dia não é possível mais pensar o trabalho aqui na Unisinos com uma cabeça iluminada, entende?

A gestão sistêmica pede muito debate, muita transparência. Pede que possamos aprender a confiar, colocando argumentos contraditórios, para que então a solução conveniente possa ser tomada.

É possível destacar a inovação tecnológica. Uma reflexão vem se aprofundando. Nós ainda não conseguimos, de maneira mais firme, que inovação tecnológica e empreendedorismo cheguem aos projetos pedagógicos. Na próxima gestão, no próximo quadriênio, temos que fazê-los chegar até a sala de aula.

Também houve o saneamento financeiro da instituição. Foi preciso fazer escolhas difíceis. Foi sofrido para todos, mas  creio que foram decisões acertadas. Temos que continuar perseguindo austeridade, temos que gerar poupança pra poder fazer investimentos. A gente começa a ter essa consciência.

Acredito também que, em decorrência desse saneamento financeiro, tomamos decisões fortes sem arranhar o nome acadêmico da universidade. Pelo contrário, nossa graduação está cada vez mais robusta em termos de qualidade, de entrega. Nossos 19 mestrados e 10 doutorados estão com uma dinâmica muito boa, de inteligência. Além disso, construímos a expansão. A Unisinos estava estrangulada e de repente foi feito um movimento de ida para a Serra, para Porto Alegre, de entrar na oferta de Educação a Distância.

Um ponto que ficou a desejar, em função dessa situação toda, foi a baixa capacidade de investimento. Tivemos que sacrificar isso. Por outro lado, fomos obrigados a esclarecer o que é realmente prioridade para a nossa atividade final. Estamos mais lúcidos entre o que queremos e o que podemos.

Por fim, terminamos o ano acertando um investimento na ordem de 10 milhões, oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que prevê forte impacto da qualificação da atividade fim.

JU Online – Várias vezes o senhor falou que teve que tomar decisões difíceis. Quais momentos poderiam ser destacados como realmente difíceis? E de satisfação?

Reitor – Toda decisão que envolve pessoas é difícil. Tomar uma decisão de desligar, de reduzir, é sempre com o coração nas mãos. E, graças a Deus, na liderança da Unisinos há pessoas com sensibilidade para o sofrimento, para a dor. Por outro lado, havia uma convicção pessoal de que aquela ação precisava ser feita (sobre o encerramento das atividades da Orquestra Unisinos, em 2006).

Os momentos felizes são aqueles que vejo alunos chegando à universidade, colegas professores e funcionários arregaçando as mangas pra servir a nossa missão. É quando eu vejo os jesuítas acreditando na nossa presença aqui na Unisinos. Isso dá felicidade.

JU Online – Se o senhor precisasse se definir como administrador, ou como gestor, quais seriam as principais características a serem destacas?

Reitor – Minhas? Ah, tem que perguntar aos outros [risos]. A minha característica é que eu chego cedo [risos]. O meu dia começa muito cedo aqui, muitas vezes às 7h da manhã.

JU Online – Que horas o senhor acorda?

Reitor - Eu acordo cedo, mas também vou cedo para cama. Então, a minha característica é ser trabalhador. Minha cultura é praiana, açoriana, misturada com os valores alemãs. Acho que sou um homem feito outro e, ao mesmo tempo, na hora de tomar decisão, o elemento racional é muito presente. Depois, faço o exercício de escutar, de construir uma vontade comum. Talvez tenha me caracterizado por construir uma vontade comum.

JU Online – O senhor tem repetido palavras, como “Nós somos Unisinos, universidade jesuíta”. Como os leigos podem identificar esses aspectos no dia-a-dia da, nas situações da universidade?

Reitor – Acho que o que estamos tentando fazer é mostrar o sentido, o modo de proceder em uma universidade que é jesuíta. Supõe um processo de escuta, de discernimento para ver, por exemplo, nesse discernimento, quais são as luzes, quais são as sombras daquilo que a gente está considerando. Depois, a construção de uma vontade embasada no bem comum. Acredito também que os leigos esperam um exercício de liderança dos jesuítas pautado na competência, em dignidade pessoal e em transparência das decisões. E, no fundo, uma obra movida pela Companhia de Jesus é uma grande e bela oportunidade para todos que ousarem colaborar com a missão.

JU Online – Para os próximos quatro anos, o que a comunidade acadêmica pode esperar?

Reitor – Penso que é preciso aproximar mais a dimensão do planejamento estratégico com a construção do orçamento. Planejar orçamento e orçamentação. Depois, continuar o processo de renovação pedagógica. Temos que fazer chegar na ponta da nossa ação pedagógica as questões, os problemas e as oportunidades que a inovação tecnológica nos traz. Outra fase dessa mesma questão é desenvolver a consciência da comunidade universitária para os desafios e dos limites éticos trazidos pela própria inovação tecnológica. Aprofundar a gestão profissional da nossa filantropia. Isso já está acontecendo, mas é preciso aprofundar cada vez mais e aproveitar as oportunidades oferecidas pela nossa ida a Porto Alegre, à Serra, e pelo lançamento de produtos e serviços em modalidade EaD.

Gostaria de agradecer à comunidade pela confiança. E que Deus me dê a força de ser feliz, participando da construção do projeto Unisinos.


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