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10/02/2010 · 21:11
Tecnologia e alimentos em pauta
Governadora assina convênio de ampliação do Tecnosinos e conhece projeto que contempla área agrícola do estado
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Texto: Danielle Titton
Imagens: Rodrigo Rocha

São Leopoldo está mesmo sob os holofotes: depois da visita do presidente Lula na última semana para inauguração de obras, foi a vez da governadora Yeda Crusius ir até o auditório da Unidade de Inovação e Tecnologia da Unisinos (Unitec), no câmpus, na tarde da quarta-feira (10/2). Na ocasião, foi assinado convênio entre universidade e Governo do Estado Rio Grande do Sul, por intermédio da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), para o projeto de apoio à expansão do Parque Tecnológico São Leopoldo (Tecnosinos). O investimento totaliza R$ 1,75 milhão e deve oportunizar 300 novos empregos em dois anos.

Uma das novidades do Tecnosinos chamou a atenção e revelou um novo nicho de pesquisa e negócios no local: o Polo de Alimentos Funcionais e Nutracêutica da Unisinos (Nutritec). Seu principal objetivo é oportunizar pesquisas de substâncias nos alimentos que fazem bem à saúde, promovendo o desenvolvimento do consumidor e do mercado no segmento.

O reitor Marcelo Fernandes de Aquino recebeu a governadora e grande parte dos secretários de governo, reforçando a importância da tríplice hélice, formada pelo poder público, iniciativa privada e Unisinos. “Essa conjunção permite que o Rio Grande do Sul dê um passo de civilidade, refletindo a vontade dos gaúchos. A vontade do povo gaúcho é a vontade do Tecnosinos. Quando isso existe, quem ganha é o Rio Grande do Sul.”

Ele ainda mencionou pontos importantes como responsabilidade fiscal, social e ambiental. “Somos pautados por essas políticas. É em função delas que grandes empresas como a HT Micron, HCL e SAP se instalaram aqui. Isso é civilidade. Através do Tecnosinos, a universidade cumpre seu papel com o desenvolvimento regional, um compromisso que vem das raízes jesuítas.”

A governadora reforçou a importância da parceria. “Sem medo de enxergarmos o futuro, vemos nosso papel de mudar, de investir. Sem isso, não poderíamos ter uma trajetória sustentável. Somos uma geração que se abriu para as tecnologias e hoje mudamos a matriz econômica do estado”, ressaltou.

Ela ainda elogiou a atuação do reitor, classificando como inexorável o caminho que ele coloca a todos. “A mensagem dele provoca a termos uma vida vocacionada e ativista. A população nos exige respeito. Temos que trabalhar em conjunto, inclusive com nossos secretários dando as mãos para atingir as metas. Aqui temos emprego e o que é melhor: os salários são de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento do estado.” Com sua comitiva, Yeda percorreu no restante do dia cidades da região metropolitana para verificação de obras no combate a violência. “Não há nada de polar em estarmos na nossa Unisinos, sem muros.”


Na apresentação do Parque aos convidados, a diretora da Unitec, Susana Kakuta, levantou dados que revelam a grandiosidade do empreendimento e o objetivo de criar a ambiência necessária ao surgimento, crescimento e geração de valor agregado para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental brasileiro. Os números de dezembro de 2009 revelam 2.100 empregos diretos, R$ 1 bilhão em faturamento, 113 novos produtos, 35 novas tecnologias e 48 registros de propriedade intelectual.

Além disso, a universidade e seus reconhecimentos foram ressaltados e ainda o Complexo Tecnológico Unitec e suas metas estratégicas para 2019. “Prevemos R$ 30 milhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento, 300 empresas startups, 20 empresas-âncora, reconhecimento como 1º Green Tech Park das Américas e 5 mil empregos.”

Apresentando o Nutritec, Susana ressaltou que a nova especialidade ocupa um lugar de destaque no cenário mundial, já que o segmento cresce no mundo inteiro e representa um mercado potencial da ordem de R$ 228 bilhões. O Tecnosinos deve ser o primeiro polo tecnológico do Brasil, agregando valor às demais empresas nacionais do setor de alimentos. Além disso, há a perspectiva de que gere cerca de 200 novos empregos nos primeiros três anos.

Segundo Denize Ziegler, que está a frente do projeto, a emenda de bancada já foi enviada a Brasília e está prevista no orçamento da União. “O Rio Grande do Sul, como grande produtor de commodities como soja, arroz, leite e carne precisa encontrar um caminho para obter diferencial competitivo, produzir com valor agregado. O Nutritec será um ambiente favorável para grandes e pequenas empresas se instalarem, aumentando emprego e renda na região.”

Ela ainda destaca que, no Brasil, pouco se conhece em termos de substâncias dos alimentos produzidos aqui e suas relações com a saúde da população. “Seria uma guinada no modelo agrícola local, trazendo maior variedade do que se produz.” O valor do investimento federal é da ordem de R$ 22,6 milhões, oriundos do Ministério de Ciência e Tecnologia, e deve contemplar um centro de pesquisas, análise e certificação de alimentos. “Assim, as empresas se instalam aqui e contam com toda essa estrutura.”
 
Ao ouvir a proposta, Yeda se comprometeu a empenhar esforços. “Não está no orçamento mas sim, podemos ajudar a Unisinos. Estamos aqui para atuar como agentes do progresso.”


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