A constatação emerge da pesquisa Just like me, but better (Igualzinho a mim, só que melhor), apresentada na França, no final de junho, na 6ª Conferência Internacional em Cultura, Tecnologia e Comunicação, e posteriormente publicada no livro do encontro. O estudo, realizado com 61 avatares de 19 nacionalidades, tinha por objetivo descobrir como as pessoas criavam suas representações virtuais, se de forma verossímil com suas características físicas e culturais ou não. “Me incomodava que os avatares que encontrava tinham praticamente a mesma aparência”, salientou Suely.
Para a pesquisa, as professoras fizeram a comparação com as fotos reais e as figuras criadas para o ambiente virtual. Durante três meses, buscaram esses materiais em cinco sites relacionados ao Second Life, onde era possível estabelecer uma comparação e, em alguns casos, um contato com os donos dos avatares para solicitar a autorização de uso das imagens. Concluíram que os avatares são criados de forma a manter traços do sujeito, mas todos tendem a aperfeiçoar sua estética, daí o título do trabalho.
Segundo Nísia, tais modificações da realidade têm por objetivo a busca do belo, ou mais precisamente, de um estereótipo de beleza contemporâneo: “As mulheres, em sua maioria, colocam cintura fina, seios maiores e os homens com mais músculos”. Suely imaginava que poderia haver diferença entre os padrões de belezas entre países ocidentais e orientais, por exemplo. “Porém, o que vimos foi algo bem parecido”. Ela acrescenta ainda que as mulheres produzem avatares com estilo das mulheres dos anos 50, as pin-ups, e não de acordo com os padrões atuais da mídia, de extrema magreza.