A manhã deste sábado (29/10) de TEDxUnisinos teve um segundo bloco de palestras de peso. Primeiro, a dupla formada por Luiz Felipe Gheller e Caio Souza Lima falou sobre o projeto Educação Solidária, lançado hoje, durante o evento. O portal permite que se possa ajudar quem precisa e deseja voltar a estudar.
Existem muitas pessoas que não continuam os estudos ou deixam de concluí-los por escassez de recursos e são essas pessoas que podem ser ajudadas pelo Educação Solidária. O conceito do site é a responsabilidade com o futuro do próximo. “Claro que é preciso melhorar a quantidade e qualidade da educação. Porém, ajudar na educação do próximo é um compromisso da sociedade. Neste caso, contribuímos para a realização de um sonho”, apontaram.
Mônica Timm de Carvalho apresentou o projeto da cidade-laboratório criada no Colégio Israelita de Porto Alegre. O projeto surgiu a partir da constatação de que as escolas hoje têm como desafio educar a atenção do aluno que está cada vez mais hiperconectado, mas nem sempre capacitado para aprofundar os assuntos abordados. Foi analisando esse cenário que ela se perguntou: como podemos potencializar o aprendizado dos alunos, trazendo significado e gerando mais atenção e conhecimento?
A resposta foi a criação da Ir Ktaná, em uma área de 500 metros quadrados, localizada no pátio da escola e “habitada” por 755 alunos. Seu objetivo foi qualificar a intervenção pedagógica, através de mudanças nos processos do colégio. “Com essa experiência percebemos, por exemplo, que a arquitetura tradicional da escolas, com classes enfileiradas, não é adequada para gerar uma interação maior entre os jovens”, comentou. Na cidade-laboratório, os alunos exercem funções como prefeito, vereadores, utilizam urnas eletrônicas para votar, gerenciam projetos de comunicação e empresas. Com isso, o aluno se torna protagonista na busca do conhecimento, gerando mais significado para a aprendizagem e atenção, dando resultados melhores também em sua rotina de estudo. “Sempre um empreendimento humano é feito no coletivo”, finalizou a diretora da instituição.
Beatriz Fischer começou sua apresentação falando sobre questões que a incomodam no âmbito da educação. A primeira delas é a abordagem negativa que afirma: a educação está em crise. A segunda: os queixumes disseminados por quem não tem conhecimento da área. Entre os modelos novos e antigos de educação e formatos de ensino na sala de aula, Beatriz foi veemente: “Não há como inovar sem considerar o conservadorismo. Ensinar não é transmitir conhecimento, mas sim criar provocações.”
O título curioso da palestra de Alex Primo chamou a atenção da plateia: Ética hacker para crianças e adolescentes. O hacker, como explicou Primo, é fruto do capitalismo cognitivo, no qual o que importa é o conhecimento. “Dentro desta ‘cultura hacker’, o dinheiro não tem valor em si, o que conta é o valor social, quando além do benefício próprio, se beneficia a comunidade”, apontou. Do Wikipedia aos Famdons, Alex explicou que a rede hoje se move com a atividade, pois é o espaço no qual se busca desenvolver a criatividade e a capacidade de inovação na construção coletiva do conhecimento. O processo de aprendizado está bastante alinhado com a cultura hacker, ele acontece através do coletivo, da troca e do compartilhamento. O conhecimento é um bem da humanidade precisando, assim, estar sempre aberto”, finalizou.