As experiências inovadoras na educação começam a se disseminar, na manhã deste sábado (29/10), com o início do TedXUnisinos no campus da universidade em Porto Alegre. O primeiro bloco de palestras contou com a participação de José Francisco de Almeida Pacheco, Mariana Iribarne, Léa Fagundes, Fábio Mendes e Rafael Korman que trouxeram aos participantes do evento suas ideias inovadoras.
O português, José Francisco de Almeida Pacheco, conhecido como Zé da Ponte, arrancou aplausos da plateia com as suas histórias do projeto “Fazer a Ponte”, que desenvolveu em Portugal e visa formar pessoas e cidadãos cada vez mais cultos, autônomos, solidários e democraticamente comprometidos com a construção de um novo projeto de sociedade. O professor afirmou que o Brasil tem tudo que precisa, mas desperdiça os recursos e padece de muitos defeitos. Acrescentou, ainda, que as escolas brasileiras funcionam com uma hierarquia administrativa, e não com as filosofias da pedagogia. Ele concluiu fazendo um convite aos brasileiros: para se organizarem e trabalharem em equipes com as Secretarias de Educação e as Faculdades, pois, segundo ele, o objetivo da escola é fazer dos seres humanos pessoas mais sábias e mais felizes.
A segunda pessoa a subir ao palco do TEDXUnisinos foi Mariana Iribarne. A gerente corporativa da Intel Argentina apresentou um panorama sobre a mudança de paradigma pela qual esse país está passando, desde 2001, quando a escola passou a ter uma função social de também alimentar crianças em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Percebendo isso, e motivados por uma competição com o Uruguai, que implementou o inovador projeto Um Computador por Aluno, diversos programas para impulsionar e reposicionar estrategicamente a educação no país foram desenvolvidos. Para alcançar os ousados objetivos que foram estipulados, um ponto foi essencial: envolver todos os públicos no processo, incluindo professores, alunos e também a família.
A educadora, Léa Fangundes, que foi professora durante 60 anos, e é considerada pioneira no incentivo ao uso da informática no processo de educação das crianças e entusiasta do programa Um computador por Aluno, foi a terceira palestrante a subir ao palco. Durante sua palestra, Léa pediu que os participantes fechassem os olhos e pensassem em uma bicicleta. Cada pessoa pensou na imagem de uma bicicleta de um jeito diferente, a professora completou explicando que assim é na escola, onde cada aluno pensa diferente do outro. A educadora reforçou que precisamos aprender a compartilhar, pois é na interação social que a inteligência se desenvolve.
Ao final do primeiro bloco de palestras, subiram ao palco a dupla do Rio Grande do Sul, Fabio Mendes e Rafael Korman, que desenvolve oficinas para ensinar método de estudos aos alunos. O trabalho iniciou com um projeto piloto em uma escola que recorreu aos dois educadores como último recurso: nesta turma, 60% dos alunos eram repetentes e não apresentavam interesse nas aulas. Ao final da oficina, o melhor retorno foi o depoimento de um aluno: “esta aula foi fundamental para meu futuro”. A dupla aponta que é necessário uma (re)formação contínua, pois hoje não existe lista de conteúdos suficiente para preparar alguém para um mundo que muda a todo o momento. Para educar o aluno, na era do Google, é preciso ensinar a usar a informação disponível para construir seu conhecimento – não necessariamente através da tecnologia. Fabio e Rafael, por exemplo, utilizam a música como suporte para sua mensagem.