Assim como no momento de criação do tear mecânico, ainda hoje a documentação do processo de criação mostra-se essencial e, por vezes, fica de lado. Uma das artesãs que participou de estudo trazido pela palestrante relatou que é muito mais fácil fazer algo do que explicar o que se está fazendo. Para modificar isso, dentro do trabalho de Edla, foi realizada oficina onde os pesquisadores se tornaram alunos e as artesãs as professoras. “É preciso documentar, sistematizar e conectar o fazer para que tecnicas como a tecelagem possam romper barreiras do sexismo e fazer com que o trabalho manual não seja desprezado e, sim, alcance reconhecimento.”
Reinhold Steinbeck, professor na Stanford University e na Universidade de São Paulo, pesquisa metodologias de Design Thinking para capacitar estudantes e implementar processos de inovação sustentável em benefício social. Ele deu início aos trabalhos enaltecendo experiências desenvolvidas no Vale do Silício como Google, Yahoo e HP, que tiveram oportunidades em função das parcerias firmadas entre universidades e comunidades. “Esse deve ser um projeto onde os alunos são pagos e desafiados para construírem soluções e mudanças para a inovação, promovendo também workshops onde a universidade discute ações com a comunidade”, disse.
Dennis Shirley foi o último palestrante do primeiro bloco da tarde. Ele se deteve na importância de se encontrar a inspiração para a educação. O professor do Boston College iniciou explicando a etmologia da palavra inspiração – to breed spirit into. E este sopro de inovação, disse ele, é essencial para a educação. E provocou: “Como as escolas são hoje? As crianças são inspiradas? Estamos vendo isso no micro ou no macro?”.
O palestrante citou pesquisa que detectou três problemas para a não-transformação do modelo de educação atual: individualismo, conservadorismo e a desmotivação. O questionamento que se apresenta, neste caso, é: “Porque é tão difícil ter essa motivação?” Para o professor, a solução está num lugar onde o sistema se volte para as reais necessidades das crianças. “Para isso, é necessário construir pontes entre o Estado, a família e as escolas. Isso pode sair caro? Sim, mas se faz necessário. E para isso o que é essencial? A inspiração!”, finalizou.