\"Eu imaginava que conhecia a violência doméstica e seus números elevados.Mas, apartir do momento em que passei a trabalhar na Delegacia da Mulher, constatei que a situação é mais grave que o índice estatístico apresentado. Passei a perceber a importância da luta da mulher pela igualdade de gênero e pelo fim da violência doméstica.\" É assim que a delegada Nadine Farias define seu trabalho na Delegacia da Mulher de Porto Alegre, que atende diariamente cerca de 40 mulheres vítimas de alguma violência ou discriminação.
\"Os crimes mais registrados são ameaças de morte, lesões corporais e ofensas à honra da mulher, cometidos principalmente pelos maridos, companheiros, ex-maridos, padrastos ou pais\", diz Nadine. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com nove delegacias para o atendimento à mulher em cidades como Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Pelotas, Ijuí, Cruz Alta, Caxias do Sul, Canoas, Novo Hamburgo e Porto Alegre, além de aproximadamente 27 postos localizados nas Delegacias de Polícia.
Para aquelas que sofrem algum tipo de violência, no ambiente familiar ou fora dele, a delegada aconselha: \"Procure ajuda na primeira vez que for vítima de violência, para tentar controlar a situação e romper com o ciclo que se inicia. Na Delegacia, notamos que a mulher nos procura após a terceira ou quarta agressão, quando a situação começa a ficar realmente insustentável.\" Quando não há a Delegacia Especializada, a vítima deve procurar a mais próxima para prestar a queixa.
A delegada ressalta que com a publicação da Lei 11340, em setembro de 2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, houve um aumento de quase 50% no número de registros de ocorrências policiais envolvendo violência doméstica no Estado. \"Esse índice é bastante positivo, pois a lei trouxe a valorização da palavra da vítima e a previsão de uma proteção mais efetiva a ela e seus filhos, o que está gerando maiores denúncias.\"
No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência doméstica, mas hoje, com a nova legislação, no mesmo momento em que a vítima registra a ocorrência policial, pode solicitar uma medida de proteção, como o afastamento imediato do agressor do lar e a proibição de que ele se aproxime do seu local de trabalho, entre outras medidas.
Ao ser questionada sobre assumir um cargo que normalmente pertence aos homens, a delegada explica: \"Nunca enfrentei nenhum preconceito dentro da instituição por ser mulher, no entanto, principalmente no começo da minha carreira, atendi pessoas da sociedade, passei informações, explicações e no final da conversa eles disseram: muito obrigado, mas agora eu quero falar com o Delegado!\"
Se interessou pelo assunto e quer saber mais sobre o trabalho de Nadine? Então assista à entrevista que a TV Unisinos fará com ela e com a delegada da Delegacia da Mulher de Novo Hamburgo, Rosane de Oliveira. O programa vai ao ar em 8/3, às 13h, com reapresentação às 20h, nos canais 30 do sistema UHF ou 32 da NET.
A entrevista é uma das atrações da programação da Unisinos para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Confira a programação completa, clicando no linklogo abaixo destamatéria.