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06/05/2013 · 09:45
Fronteiras do Pensamento 2013
Escritora Karen Armstrong abre sétima edição do evento, que ocorre nesta segunda-feira
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Texto: Da Redação
Imagens: Divulgação


A escritora e pesquisadora britânica Karen Armstrong falará nesta segunda-feira (6/5) sobre a "Carta pela Compaixão", na sétima edição do "Fronteiras do Pensamento", que ocorre em Porto Alegre, às 19h30, na UFRGS. A partir do mote "ideias fazem diferença" e do recorte curatorial que vai discutir causas sócio-humanitárias globais, o evento abre sua série de 10 conferências com um discurso engajado a favor da tolerância religiosa.

Estaríamos presenciando uma fobia ao Islã oriunda do Ocidente, numa espécie de “islamofobia”? É esta a palavra que Karen, uma das mais respeitadas pesquisadoras da história das religiões na atualidade, utiliza para provocar seus compatriotas – os cidadãos do mundo – a agirem diante da violência na contemporaneidade. Para tal tipo de fobia, há uma atitude cada vez mais necessária: “Devemos ter o que os chineses chamam de jian ai – preocupação para com todos. Temos que amar o estrangeiro (Levítico), amar nossos inimigos (Novo Testamento) e alcançar todas as tribos e nações (Alcorão)”, comenta a inglesa. Em todas as suas falas, a escritora aponta como chave para uma sociedade de paz a busca de ações que usem a “regra de ouro” de todas as religiões: a compaixão.

Mais sobre Karen Armstrong

Karen se diz surpresa com sua própria trajetória de vida: ingressou aos 17 anos no noviciado da Society of the Holy Child Jesus; tornou-se freira e assumiu o nome de Irmã Martha ao longo de sete anos. Ao sair do convento, se manteve por 13 anos distante da religião; e, hoje, é professora de rabinos no Leo Baeck College de Estudos do Judaísmo, membro honorário da Associação Muçulmana de Ciências Sociais e autora de mais de uma dezena de livros sobre islamismo, judaísmo, cristianismo e budismo.

Descrente na fé católica após deixar o convento, a pesquisadora formou-se em Literatura Inglesa em Oxford, mas sua tese de doutorado acabou sendo reprovada, e à série de problemas profissionais somou-se uma epilepsia diagnosticada tardiamente. A escritora só alcançou reconhecimento com a obra autobiográfica Through the Narrow Gate, que a levou para a televisão nos anos 1980. A partir do estudo comparado das religiões, lançou seu olhar para a fé sob uma nova perspectiva na obra “Uma História de Deus” (editada no Brasil pela Companhia das Letras), reconhecida como um relato de grande rigor acadêmico e escrita acessível.

Por considerar que o ateísmo também prega ideias fundamentalistas e que todas as religiões monoteístas desenvolveram uma forma agressiva de fé contra a cultura secular moderna, Karen afirma, amparada em Kant, que uma religião que declara guerra à razão não poderá ser vitoriosa: esse é o caminho que leva à perda da fé. “Ao tentar transformar-se em ciência, a teologia só conseguiu produzir uma caricatura do discurso racional, porque essas verdades não se prestam à demonstração científica”, diz. E completa: “Existe um ‘nacionalismo religioso’ parecido na direita cristã nos EUA e em Israel. Hoje em dia, os muçulmanos de todo o mundo se sentem atacados. E, motivados politicamente, agem de forma violenta, alimentando o preconceito o cidental.

Embora seu trabalho seja criticado justamente pela comparação considerada, por vezes, simplista entre as crenças, línguas, rituais ou conceitos das diferentes religiões, “pregando” uma versão própria de espiritualidade universal e transcultural, é inegável que a obra de Karen Armstrong concede uma importante contribuição para o reconhecimento de formas mais harmoniosas de convívio entre civilizações. A religião, defende Karen, é uma “disciplina prática” que depende de exercícios espirituais e uma vida de dedicação. Fundadora do movimento Charter for Compassion, sonho que concretizou após vencer o TED Prize em 2008, lançando suas ideias em prol de uma carta global pela compaixão.

Sobre a “Carta pela Compaixão” (Charter for Compassion)

Em todas as formas de espiritualidade Karen Armstrong afirma ter encontrado a presença do sofrimento como uma força criadora. “Religião é sobre comportar-se diferentemente”, afirma a autora. “Na compaixão, quando sentimos como o outro, estamos livres para ver o Divino.” Para a estudiosa, cada uma das religiões, à sua maneira, colocou como centro de sua tradição a regra dourada proposta pelo filósofo Confúcio cinco séculos antes de Cristo: “Não faça aos outros o que não deseja que façam a você”.

Em um mundo no qual a religião foi “sequestrada” das pessoas, Karen iniciou o movimento da “Carta pela Compaixão”, que sonha ver “em cada colégio, cada igreja, sinagoga ou mesquita do mundo, para que as pessoas possam olhar sua tradição, recuperá-la e fazer dela uma fonte de paz no mundo”. Auxiliada por um conselho multinacional de líderes religiosos e mais 100 organizações parceiras, lançou a criação de um documento aberto – já assinado por mais de 95 mil pessoas –, elaborado por cidadãos de todas as classes sociais, nacionalidades, credos e origens, com a intenção de unificar, inspirar e levar de volta a compaixão ao coração da sociedade.

Mais de 60 placas de madeira sustentável com a “Carta pela Compaixão” já foram afixadas em cidades como Nova Iorque, Cairo, Londres, Ramallah, Melbourne e Buenos Aires. A carta refere que a compaixão não é o sentimento de boa vontade ou de pena, mas sim de determinação de nos colocarmos no lugar do próximo, valor que existe no coração de todos os sistemas religiosos éticos. Seu texto final convoca todos os homens e mulheres a incentivarem uma apreciação positiva da diversidade cultural e religiosa e cultivarem uma empatia com o sofrimento de todos os seres humanos – mesmo aqueles considerados inimigos.

Sobre o “Fronteiras do Pensamento”

O “Fronteiras do Pensamento” é um projeto cultural múltiplo que aposta na liberdade de expressão intelectual e na educação de qualidade como ferramentas para o desenvolvimento. Através de uma série anual de conferências, o Fronteiras abre espaço para o debate e a análise da contemporaneidade e das perspectivas para o futuro, apresentando pensadores, cientistas e líderes que são vanguardistas em suas áreas de pesquisa e pensamento.

Temas, ideias e personalidades que moldam o nosso tempo ocupam o palco do Fronteiras, que tem como valores básicos o pluralismo das abordagens e o rigor acadêmico e intelectual de seus convidados. Dessa forma, o curso de altos estudos busca avaliar tendências, aceitando a provocação destes que são, hoje, alguns dos mais renomados pensadores em atuação no mundo, constituindo uma linha interdisciplinar de pensamento.

Em seus sete anos de existência, o projeto conta com mais de 130 conferências realizadas para milhares de espectadores. O Fronteiras quer trazer para o debate temas imprescindíveis, dando aos espectadores uma visão real dos próximos dez ou vinte anos, nas diferentes áreas contempladas.

“Fronteiras do Pensamento Porto Alegre” é apresentado pela Braskem e tem o patrocínio de Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura e Gerdau. Promoção Grupo RBS. O projeto conta com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul como universidade parceira. E parceria cultural da Unisinos, Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Serviço:

O que: Fronteiras do Pensamento Porto Alegre
Quando: segunda-feira (6/5), às 19h30
Onde: Salão de Atos da UFRGS, Av. Paulo Gama, n° 110


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