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10/02/2009 · 05:04
Duzentos anos depois
Instituto Humanitas Unisinos promove seminário Ecos de Darwin
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Texto: Danielle Titton


Charles Darwin é um paradoxo moderno. Não sob a ótica da ciência, área em que seu trabalho é plenamente aceito e celebrado como ponto de partida para um grau de conhecimento sem precedentes sobre os seres vivos. Sem a teoria da evolução, a moderna biologia, incluindo a medicina e a biotecnologia, simplesmente não faria sentido. O enigma reside na relutância, quase um mal-estar, que suas ideias causam entre um vasto contingente de pessoas, algumas delas fervorosamente religiosas, outras nem tanto.

Veja o que ocorre nos Estados Unidos. O país dispõe das melhores universidades do mundo, detém metade dos cientistas premiados com o Nobel e registra mais patentes do que todos os seus concorrentes diretos somados. Ainda assim, só um em cada dois americanos acredita que o homem possa ser produto de milhões de anos de evolução. O outro considera razoável que nós, e todas as coisas que nos cercam, estejamos aqui por dádiva da criação divina. Mesmo na Inglaterra, país natal de Darwin, o fato de ele ser festejado como herói nacional não impede que um em cada quatro ingleses duvide de suas ideias ou as veja como pura enganação. Na semana em que se comemora o bicentenário de nascimento de Darwin e, por coincidência, no ano do sesquicentenário da publicação de seu livro mais célebre, A Origem das Espécies, como explicar a persistente má vontade para com suas teorias em países campeões na produção científica?

(Revista Veja, 7/2/09).

Assim como a matéria de Veja, que comenta os 200 anos de Darwin e os 160 da Teoria da Evolução, o Instituto Humanitas Unisinos (IHU) promove debate sobre a vida e obra do pesquisador no seminário Ecos de Darwin, que acontece na universidade de 9 a 12/9.

Entre os palestrantes, já estão confirmados Edward Manier, da University of Notre Dame, nos Estados Unidos; Ana Luisa Janeira, da Universidade de Lisboa, em Portugal; Carlos A. Valle-Castillo, da Universidad San Francisco, do Equador; William Stoeger, do Observatório Astronômico do Vaticano e Pietro Corsi, da Oxford University. Além deles, Aldo Mellender de Araújo, da UFRGS, Anna Carolina Krebs Pereira Regner, da Unisinos, Gervásio Silva Carvalho, da PUC-RS, Heloísa Mª Bertol Domingues, do MAST – RJ, Lilian Al-Chueyr Pereira Martins, da PUC-SP, Lucia Garcez Lohmann, da USP e Roberto de Andrade Martins, da Unicamp, compõem o quadro de convidados.

Seguindo com os debates e possibilitando reflexão e análise de duas visões completamente diferentes, entre 14 e 17/9 o IHU também promove o simpósio Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades. Seus principais objetivos são explicitar, de forma transdisciplinar, o discurso cristão sobre Deus no contexto das novas representações do mundo, da vida e da sociedade ligadas às novas formas de conhecimento, esclarecer os laços entre transcendência e historicidade divinas, além de descrever os percursos das narrativas de Deus na contemporaneidade.

Mais informações e os cronogramas completos de participantes serão publicadas nos próximos dias.


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