.Universidade

19/11/2012 · 15:31
Por cidades planejadas
Profissional da área de Arquitetura e Urbanismo encontra cenário favorável para atuação. Foco é na melhora da mobilidade urbana
Tamanho da Letra
Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Rodrigo W. Blum

No início da manhã, trânsito parado, pois todas as pessoas estão indo para o trabalho. Ao meio-dia, a mesma coisa, porque todos estão saindo para o almoço. E, no fim do dia, o mesmo cenário se repete, com o retorno para casa. Sem contar quando chove e as ruas ficam alagadas, dificultando mais ainda a circulação. Essa é a realidade das grandes cidades brasileiras. Sem planejamento quando começaram a crescer, hoje elas vivem um caos no quesito mobilidade urbana.

Para tentar alterar o cenário, atualmente surgiram várias discussões sobre qual a melhor maneira de melhorar o deslocamento e, consequentemente, a vida dos habitantes dos grandes centros. Alguns acreditam que a verticalização das cidades e a concentração de estabelecimentos (como bancos, mercados e empresas) nos bairros é a melhor maneira, por evitar grandes deslocamentos e congestionamentos. Mas outros são contra, por acreditarem que isso muda a paisagem, deixando tudo igual, em detrimento das peculiaridades de cada local, além de ocasionar a supervalorização dos imóveis.



Para o coordenador executivo da graduação em Arquitetura e Urbanismo da Unisinos, Adalberto da Rocha Heck, as cidades têm setores com vocações diferenciadas. Por isso, não é coerente pensar numa homogeneização na exploração da capacidade construtiva, de soluções arquitetônicas únicas e de uso do solo. “Existem limitações decorrentes do sítio e da paisagem urbana natural e/ou cultural. Assim, é totalmente inadequada a densificação de sítios históricos ou a permissão das edificações em altura em locais de paisagens relevantes”, diz. Na opinião da professora do curso, Nivea Maria Oppermann Peixoto, não é preciso construir prédios altos para que se tenha densificação. “O importante é discutir o modelo de município que se quer, as projeções de população, a altura conveniente dos prédios e os equipamentos urbanos, resultando numa paisagem mais ou menos agradável.” A melhor saída, na visão da docente da Unisinos Izabele Colusso, é o investimento em transporte público de qualidade.

PLANEJAMENTO ZERO

O problema de mobilidade começou quando as cidades foram criadas. “Elas cresceram rapidamente, com grandes contingentes populacionais ocupando espaços de forma desordenada, expandindo as áreas urbanas sem infraestrutura, acarretando carências que até hoje permanecem sem o devido atendimento”, destaca Nivea. Para completar, poucos centros utilizam o planejamento urbano, sem Planos Diretores, de Mobilidade e de Circulação Urbana compatíveis com as necessidades.

A situação seria outra se, desde o início, tivesse ocorrido o acompanhamento de um arquiteto e urbanista, que é o responsável por monitorar as diferentes variáveis, antecipando a infraestrutura às demandas crescentes de mobilidade e considerando os diferentes transportes. Segundo a professora Izabele Colusso, cidades planejadas já preveem futuros problemas. Porém, de nada adianta existir planejamento sem uma gestão continuada. “Muitos municípios que foram planejados apresentam problemas de mobilidade, justamente por não terem realizado uma gestão continuada. Um exemplo é Goiânia.”

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Por mais que as cidades não tiveram um planejamento adequado, com crescimento desordenado e problemas gravíssimos, ainda existem soluções. Para isso, os arquitetos e urbanistas precisam buscar soluções inovadoras. “Cada local tem a sua realidade, sendo necessária a implantação de um suporte técnico para o enfrentamento dela e a segurança quanto à qualidade de vida no futuro”, alerta o professor Adalberto da Rocha Heck. Para a docente Nivea Maria Oppermann Peixoto, as soluções devem ser buscadas através de estudos de alternativas de mobilidade e qualificação do transporte público, além do incremento do transporte não motorizado e da discussão sobre as prioridades a serem atendidas com os recursos financeiros disponíveis.

PROBLEMAS CONVERTIDOS EM OPORTUNIDADES

Para quem pensa em seguir carreira na área de Arquitetura e Urbanismo, pode ter certeza que escolherá uma profissão muito promissora. O mercado está aquecido, em função do crescimento do Brasil. “Existem planos econômicos que disponibilizam recursos para a construção civil, muitas linhas de financiamento para projetos urbanos, culturais e ambientais. No que se refere ao urbanismo, o campo é enorme, desde a realização de planos diretores, à solução de problemas sociais e ambientais, oportunizando espaço de trabalho junto aos órgãos públicos ou em escritórios prestadores de serviços”, resume Adalberto.

E a média salarial é justa com as responsabilidades. Afinal, como explica Izabele Colusso, o profissional é de extrema importância para o desenvolvimento das nossas cidades, com presença tanto no planejamento, quanto na gestão dos centros. “O arquiteto e urbanista lida com a complexidade da ocupação do território, das atividades e dos conflitos de interesse da sociedade, atendendo aspectos funcionais, econômicos, culturais, ambientais e de mobilidade”, complementa Nivea. A remuneração varia, de acordo com o emprego e nível de experiência, podendo passar dos R$ 6 mil.


Mais Notícias

07/05/2014 · 15:20
Design brasileiro em NY
03/01/2014 · 18:30
Da obra à decoração
15/10/2013 · 17:34
Tempo bom
10/10/2013 · 14:09
Para matar a saudade
30/05/2012 · 14:20
A obra e arte de Felizardo

Voltar
Rodapé - Links