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22/04/2014 · 14:04
Ex-aluno, filmes e Canadá
Egresso de PP participou de superproduções hollywoodianas.
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Texto: Betina Albé Veppo
Imagens: Arquivo Pessoal

 
Thor: O Mundo Sombrio, 300: A Ascensão do Império, Homem de Ferro 3, Jack, o Caçador de Gigantes, O Espetacular Homem-Aranha, Prometheus e Fúria de Titãs 2 são filmes que compõem o portfólio de Marlon Engel, da turma de Publicidade e Propaganda de 2002/1, da Unisinos. Hoje, ele trabalha na empresa Gener8, em Vancouver, no Canadá, terceiro maior polo de Efeitos Visuais para Cinema e TV no mundo, com conversão para estéreo 3D. 
 
Na época de faculdade, Marlon não tinha nem ideia sobre os caminhos que traçaria após sua saída da Universidade. Trabalhou na TV Unisinos como videografista por cinco anos, o que, segundo ele, o ajudou a construir uma visão mais madura do mercado, e estar mais preparado. “Vivi intensamente a universidade durante o tempo que fui um profissional lá dentro”, conta. O interesse pelo mercado de estéreo 3D se concretizou no seu trabalho de conclusão, quando obteve uma base sólida sobre o assunto. 
 


Marlon teve a oportunidade de cursar uma especialização em Animação 3D e Efeitos Visuais no Canadá, na Vancouver Film School, e hoje é compositing supervisor. Ele coloca que não existe uma tradução literal para sua função, mas explica que o compositor é quem trata uma cena, integrando vários elementos, como a imagem dos atores, efeitos gráficos, elementos de computação gráfica como prédios ou criaturas, de tal forma que todos pareçam fazer parte daquela imagem. No caso da conversão 3D, os compositors precisam usar todo seu conhecimento e técnica para limpar os artefatos que surgem devido ao processo de conversão, além de fazer toda essa integração em estéreo 3D.

A seguir, Marlon relata um pouco sobre o que ele exerce e como foi o caminho até lá:

Qual a sensação de participar da produção de grandes filmes, como 300, Homem de Ferro e Homem-Aranha?
 
Simplesmente fantástico! É gratificante trabalhar em grandes títulos como esses, mas mais ainda ter a oportunidade de ajudar a desenvolver um processo que dá aos artistas ferramentas para transformar algo para estéreo 3D e ver, posteriormente, o resultado final, sabendo que você faz parte daquilo, que você ajudou a fazer acontecer. Cada shot é um novo quebra-cabeças, e quando se vê o produto final, com todos eles integrados, você percebe que está ajudando a contar a história.
 
Como é o processo de conversão de um filme para 3D?

Recriamos modelos em 3D para todos os objetos em uma cena do filme e, sobre esse volume em 3D, projetamos a imagem. Isso propicia uma flexibilidade incrível para estereógrafos e cineastas.
 
Qual foi o seu envolvimento em “300: A Ascensão do Império”?
 
O Estúdio em que trabalho converte filmes de 2D para estéreo 3D, e fez a conversão de 300: A Ascensão do Império. Comecei cedo no projeto, no estágio de pesquisa e desenvolvimento (R&D – research and development). O Estúdio estava planejando fazer algo que nunca tinha sido feito antes, e junto com outra artista de estéreo, Sarah Young, tive que desenvolver algumas ferramentas para alcançar isso. Nós usamos as camadas 2D, chapadas, de cada cena (fundo, personagem, chuva, respingos, fumaça...) e com ferramentas próprias transformamos cada camada para 3D, o que, aliado ao nosso software StereoComposer, deu ao supervisor etereógrafo (Stereoscopic Supervisor), Ben Breckenridge, total controle sobre a profundidade de cada partícula da cena. Aprendi muito com esse projeto.

Como foi a trajetória até chegar onde estás? 
 
Foi um processo de vários anos. Trabalhei como motion designer em várias estações de televisão por doze anos. Em um dado momento eu queria um novo desafio e optei por efeitos visuais para cinema. Quando mudei para Vancouver, fiz uma especialização em animação 3D e efeitos visuais, o que me deu os recursos necessários para começar a falar a linguagem da indústria cinematográfica em termos de técnica e ferramentas. Meu primeiro trabalho foi para um seriado chamado Sanctuary (quarta temporada), em que conheci Mark Lasoff (supervisor de efeitos visuais de Titanic, filme pelo qual recebeu o Oscar de Melhor Efeitos Visuais). Quando o seriado terminou, Mark passou a trabalhar na Gener8 e me convidou para ir com ele. Após alguns meses, Mark me promoveu para uma posição de liderança de time (lead compositor), e logo após fui designado para trabalhar com a parte de pesquisa e desenvolvimento (R&D) para 300. O Mark gostou do resultado e, já no início dos trabalhos no filme, me promoveu para a posição de supervisor (compositing supervisor), na qual estou até agora.

Existem outros brasileiros que trabalham contigo em Vancouver? 
 
Já contratei vários brasileiros para trabalhar no estúdio. No momento, três fazem parte da minha equipe, de 70 artistas.
 
Que dica você daria para os alunos da universidade que pretendem trilhar caminhos parecidos com o seu?

Planejar a longo prazo e adquirir o máximo de experiência profissional possível. Estar preparado para começar por baixo e, a partir daí, construir uma carreira. Começar por baixo significa solidificar os conhecimentos fundamentais, e sobre eles ir aperfeiçoando o talento. É também indispensável fazer cursos bons, que vão te proporcionar conhecer pessoas e construir uma rede de contatos. A indústria de Efeitos Visuais é muito pequena, sempre tem alguém que conhece alguém. Não aprenda apenas as ferramentas ou programas, mas certifique-se de construir uma base teórica sólida. Efeitos Visuais têm muito de física, matemática e programação. Não seja um mero apertador de botões, mas um pensador. Certifique-se de falar, escrever e compreender bem o inglês. 

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