Reitor da Universidade de Lisboa discute as práticas docentes no VII Congresso Internacional de Educação
Compondo o grupo de renomados pesquisadores da área educacional, o reitor da
Universidade de Lisboa (UL),
António Nóvoa, foi destaque no
VII Congresso Internacional de Educação. Na segunda-feira (22/8), ele realizou a conferência de abertura e proferiu a palestra D
ocência universitária e contemporaneidade, no Anfiteatro Padre Werner.
Nóvoa é uma das principais referências internacionais sobre a temática docência. Para a cerimônia de abertura do congresso intitulado “
Profissão docente: Há futuro para esse ofício?”, o reitor dividiu sua apresentação em dois momentos: o primeiro para abordar
a invenção da profissão docente no final do século 19 e o segundo para tratar do
regresso dos professores.
De início, o reitor tratou de três aspectos históricos: a construção do Estado-nação, a produção do modelo escolar e a modernidade pedagógica. A proposta foi sugerir linhas de reflexão sobre a invenção da profissão concomitante com a formação da sociedade. Nesse contexto, apresentou princípios básicos da educação no passado, através dos quais se entende que a escola é responsável por incentivar a criatividade, a espontaneidade, os trabalhos manuais, em grupo e ao ar livre, e que deve dar amplo espaço para as manifestações dos alunos. Segundo
Nóvoa, porém, todos esses métodos precisam ser repensados na atualidade.
Na sequência, o palestrante sugeriu uma revisão dos aspectos citados, passando a chamá-los de a contemporaneidade pedagógica, o espaço público da educação e a identidade cosmopolita. Propôs a serenidade em sala de aula, a busca pelo silêncio e o incentivo à capacidade de pensar e expressar com coerência e de construir sentidos em equipe. “
É preciso lidar com o excesso de informação, trabalhar o conhecimento, ao invés, de simplesmente difundi-lo e, principalmente, romper com o paradigma de que a educação é feita somente na escola”, afirma.
A fala de
Nóvoa resume-se em: conhecer historicamente a docência, compreender que a profissão foi iludida por fatores como a gestão escolar, a alteração na grade curricular e a ascensão das tecnologias digitais, e propor a revisão dos métodos com base no regresso, ou seja, entender que,
apesar de todas as facilidades modernas, nada substitui um bom professor.
O reitor também falou sobre a queda na busca pelos cursos de licenciatura: “
A procura diminuiu praticamente em todo o mundo, exceto nos países asiáticos e nos do norte da Europa, onde os professores são valorizados, têm condições dignas de trabalho e são reconhecidos pela sociedade e pelas instituições públicas. Há a proteção da profissão em si”.
O
VII Congresso Internacional de Educação é promovido pela
Unisinos e acontece até quarta-feira (24/8). Nesta edição, cerca de 1100 pessoas estão inscritas para participar e apresentar trabalhos. Para mais informações sobre o evento, clique
aqui.