25/08/2010 · 13:47
Um novo lar
ASAV ajuda a reassentar refugiados no Rio Grande do Sul
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Texto: Paloma Rühee
Imagens: Reprodução
Eles tiveram que fugir de seus países por temer perseguições políticas, religiosas, raciais, ou, ainda, por causa de guerras civis e conflitos armados. Precisaram abandonar seus familiares, empregos e lares para que pudessem sobreviver. No Brasil, o número total de refugiados, hoje, chega a 4305 pessoas, segundo dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), nesta quarta-feira (25/8), em Porto Alegre.
A ACNUR surgiu em 1950 para ajudar os refugiados da Segunda Guerra Mundial, desde então tem auxiliado milhares de pessoas que são obrigadas a deixar sua terra natal. Na América do Sul, os reassentamentos começaram em 1999, quando Brasil e Chile assinaram um acordo para receber exilados. Mas foi a partir do Plano de Ação do México, firmado em 2004, que essa iniciativa tomou proporções reais através do Programa de Reassentamento Solidário. “Antes desse acordo, apenas nações desenvolvidos recebiam essas pessoas, após essa data, 20 países latino-americanos passaram a fazer parte do grupo”, destacou Andrés Ramirez, representante da ACNUR no Brasil.
Do total de refugiados no país, 3908 são considerados refugiados espontâneos, ou seja, são aqueles que chegam ao Brasil e pedem elegibilidade. Os outros 397 vieram através dos programas de reassentamento desenvolvido em parceria com a ACNUR, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) e outras entidades. No Rio Grande do Sul, o Programa Solidário, realizado em parceria com a Associação Antônio Vieira (ASAV), mantenedora da Unisinos, já reassentou 162 pessoas, de seis nacionalidades diferentes. “Esse é o estado que mais reassenta no país. Quando recebemos uma solicitação, entramos em contato com os nossos parceiros e verificamos onde há maiores possibilidades de alocação. A nosso vínculo com a ASAV tem possibilitado uma inserção maior aqui”, afirmou o coordenador-geral do Conare, Renato Zerbini.
O Programa Solidário de Reassentamento funciona baseado numa tripartite: governo, sociedade e ACNUR. Cada refugiado recebe uma ajuda de custo, por um período que varia de 12 a 18 meses, até que ele esteja integrado à nova comunidade. Além disso, são oferecidos cursos de capacitação e aulas de português para aqueles que não falam a língua. “Nós trabalhamos com empresas e instituições que nos ajudam a colocar essas pessoas no mercado de trabalho. Hoje já temos 12 municípios que recebem essas famílias e estamos em negociação com mais dois. Pretendemos continuar ampliando essa rede, para que a inserção seja de duas a três famílias por cidade”, informou Karin Wapechowsky, coordenadora do projeto de reassentamento implementado pela ASVA no estado.
A maioria dos refugiados encaminhados para o Rio Grande do Sul, através dos programas de assentamento, são colombianos. Segundo Ramirez, o Brasil não traça um perfil das pessoas que vai receber, mas quando a nacionalidade é latino-americana é a integralização é mais fácil, por questões culturais.
A data também foi marcada pelo início do Encontro Regional sobre Reassentamento Solidário – Twinning Programme, que acontece até quinta-feira (26/8), em Porto Alegre e reunirá representantes dos governos da Argentina, Brasil, Chile, Noruega, Paraguai e Uruguai. Além de funcionários da ACNUR da Costa Rica, Equador, Genebra, Argentina, Chile e Brasil e organizações da sociedade civil dos países participantes.
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