O empresariado gaúcho está mais amadurecido em relação a uma tecnologia que provoca debates, gera dúvidas e ainda é muito pouco conhecida: a nanotecnologia.
“Anualmente, o Instituto Humanitas Unisinos realiza seminários internacionais para abordar as grandes preocupações da sociedade. Neste ano, optaram pelas nanotecnologias, tema no qual ainda estamos muito verdes”, disse o reitor Marcelo Fernandes de Aquino. “Inserir as questões humanistas nessa virada tecnológica é um dos papéis da universidade”, complementou.
Segundo Drexler, não é apenas o empresariado gaúcho que engatinha nessa novidade, mas o brasileiro e de diversos outros países. Afinal, o que é nanotecnologia? “É uma tecnologia revolucionária para fabricação de produtos de alta performance dos mais variados tamanhos, com precisão atômica”, diz ele. Acontece que erroneamente o termo é utilizado de forma bem mais ampla, contemplando qualquer produto com componente menor que 100 nanômetros. “A verdadeira nanotecnologia significará uma grande passo, uma revolução”, salienta.
Essa fabricação se daria pelo que Drexler convencionou chamar nanosistemas produtivos, que funcionariam de forma similar às máquinas de hoje, com a diferença de fazer isso com precisão atômica, desde o átomo até o produto final. “Tais máquinas moleculares controlariam o movimento dos átomos e suas reações químicas”, destaca. Segundo ele, cálculos baseados na Física mostram que, pela combinação de moléculas, seremos capazes de transformar os supercomputadores de hoje em máquinas de tamanho similar a um laptop. Ou tornar as viagens espaciais tão viáveis como as aéreas, pela construção de espaçonaves fortes, resistentes e baratas.
As promessas não param por aí. Drexler, que atualmente é chefe do conselho técnico da Nanorex, empresa que desenvolve programas de engenharia molecular, acredita que será possível reverter o aquecimento global, reduzindo as emissões de gás carbônico aos níveis pré-industriais, pela fabricação de placas solares de preço extremamente baixo. “Mas não é uma tecnologia que veremos hoje ou amanhã, mas daqui a alguns anos e exigirá muito trabalho”, adverte.
Atualmente, a nanotecnologia foi capaz de criar peças moleculares rudimentares. Ainda é preciso evoluir para peças mais complexas e, então, para as primeiras ferramentas e, somente bem depois, para as primeiras máquinas. O caminho que precisa ser trilhado já foi detalhado no Roadmap project, espécie do mapa que aponta quais pesquisas devem ser desenvolvidas para construir a promessa da nanotecnologia. Ele foi um dos líderes técnicos da iniciativa, que reuniu mais de 200 pesquisadores da academia, da indústria e do governo dos Estados Unidos.
“O Brasil poderá ser um parceiro importante em projetos de cooperação internacional”, avalia. Aliás, seu objetivo ao realizar o encontro com o empresariado era conhecer um pouco mais da realidade do país. Ele tem realizado, com êxito, encontros semelhantes na China, Coréia e Singapura, e também o fará em São Paulo, bem como em janeiro de 2009 na Índia.