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31/10/2005 · 11:28
Uma nova caminhada
João Geraldo Kolling toma posse como novo superior provincial da província do Brasil meridional no sábado (5/11)
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Texto: Luciane Ramos


Em nove de julho de 1983, a cidade de Guaraciaba, em Santa Catarina, estava debaixo d’água. O Rio Uruguai ficou 17 metros acima do nível normal, e a chuva não parava. Nesse mesmo dia, João Geraldo Kolling, na época com 32 anos, era ordenado sacerdote. \"A chuva é uma benção de Deus\", disse-lhe um dos seus superiores. Essa história é lembrada com muito carinho por Kolling, que no sábado (5/11), assume como superior provincial da Província do Brasil Meridional (BRM). Na fala tranqüila demonstra a segurança de quem sabe a responsabilidade que tem nas mãos.

O novo provincial dos jesuítas do sul do Brasil nasceu no município de Chapada. Cursou Filosofia e História, na Unisinos. Na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, tornou-se Bacharel em Teologia e Psicologia. Em 1988, voltou à São Leopoldo.

João Geraldo já está em casa nova, na sede provincial em Porto Alegre. Até então ele residia no Centro de Espiritualidade Cristo Rei (Cecrei), em São Leopoldo, onde era diretor desde 1999. Desde 1998, ele é superior da comunidade dos jesuítas. Além dessas atividades, era coordenador da Comissão de Espiritualidade da Província BRM e Vice-Diretor do Curfopal (Curso de formação permanente para a América Latina).

Em entrevista exclusiva ao J.U. Online, João Geraldo Kolling falou da mudança na rotina, da formação jesuíta e do desafio de trazer os jovens para a igreja.

O que muda a partir de sua posse como provincial?
Minha rotina vai mudar bastante. Com as atividades anteriores eu tinha uma vida bastante previsível e organizada. Agora comoprovincialmeuprincipal trabalho é animar e encorajar os jesuítas em sua missão. Para isso são realizadas visitas nas congregações para sentir como cada irmão está desenvolvendo otrabalho e se isso lhe dá real sentido de vida e plenitude como jesuíta.

Como são os encontros entre os provinciais?
Nos últimos dois anos temos conversado muito sobre planejamento estratégico. Estamos buscando criar uma mentalidade de planejamento. É a forma de fazer com que pessoas de diferentes gerações, formação e cultura consigam caminharjuntas. Isso significa mudança de atitude, e mudar o jeito de pensar é mais difícil que alterar o comportamento. Pretendo dar continuidade a essa questão para que a província tenha a gradativa e, cada vez mais forte, clareza de sua missão, de sua visão e dos seus objetivos. A partir daí se identifica as prioridades que nos fazem perceber as urgências e saber para onde andar.

Como os jesuítas conseguem continuar trazendo seu legado histórico e manter seus princípios em uma sociedade em constante transformação?
O argumento mais forte para nos mantermos no caminho é a experiência fundante que Santo Inácio nos deixou. Santo Inácio era um valente guerreiro e seu sonho era realizar grandes feitos para conquistar certa dama. Ele lutava para quem lhe pagasse melhor. Mas um tiro de canhão o fez entrar em um processo de conversão. Na leitura sobre a vida de Jesus e dos santos descobriu uma alternativa diferente. Ele ficou especialmente impressionado com a história de São Domingos e de São Francisco de Assis. Foi aí que percebeu sua real vocação: seguir Jesus.

Como acontece a formação de um jesuíta?
O noviciado é a experiência mais forte. São dois anos para conhecer a Companhia de Jesus e a si mesmo.Isso é o impulsopara pessoa começar a ler as diferenças e osdesafios com discernimento. Ele consegue pautar sua vida por esses critérios, diferenciando o que é um bem real e o que é um bem aparente, entre as tantas alternativas que a sociedade e o mundo vão lhe oferecendo. Também através do exame de consciência, e com a ação do espírito santo, é possível perceber qual é a vontade de Deus e se o meu modo de agir e falar está em conformidade com ela.

Na sua opinião como é possível despertar e manter o interesse religioso nos jovens?
Essa é uma questão bastantedifícil.A imposição certamente não surte efeito, todos sabem o que lhe atrai e o que não lhe atrai. O segredo está em dialogar com a sociedade e apresentar a experiência de Deus não apenas como algo atraente, mas como fonte de felicidade e sentido de vida. Isso é o que todos procuram, das mais variadas formas.

Qual é o grande diferencial de uma instituição jesuíta?
Numa paróquia, num colégio ou numa universidade jesuíta deve-se compreender o ser humano como alguém que está no meio do universo, em meio a tantas outras criaturas para louvar ao criador. Temos que buscaro melhor, o magis,no serviço, na justiça e na solidariedade. Os valores humanos estarão sempre no horizonte de nossa ação e esse horizonte em busca da qualidade do melhor.

Quais são as suas expectativas nessa nova caminhada como provincial?
Espero que haja confiança, colaboração, solidariedade e esperança. Com a graça de Deus e com a ajuda dos co-irmãos poderei prosseguir no planejamento estratégico com ânimo eentusiasmo. Como provincial estou a serviço da sociedade e da igreja. É um trabalho um pouco mais solitário, mais concentrado no governo. Se Deus colocou essa missão em meu caminho, ele me dará as graças necessárias e com o apoio dos co-irmãos poderei realizá-la a contento.



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